Água Verde

Green water, caldo verde, sopa

de ervilhas, chá verde, ou somente

água verde. 

Marcus Vinicius Silva Paulussi
Fernando Sérgio Alves Monteiro

Ilustrações: Cida Porto

Nesse artigo vamos comentar um pouco sobre um assunto que divide muitas opiniões no universo de criadores de kinguios.

Quando falamos da água verde, falamos de algas unicelulares que flutuam livremente, tonalizando a água. De fácil cultivo, bastando água, amônia e sol. Durante o dia ocorre o processo de fotossíntese, que vai consumir a amônia para o desenvolvimento das algas, produzindo O², sua multiplicação é rápida quando há acesso  pleno ao sol.

É fonte também de caroteno fresco, um realçador da cor natural dos kinguios. Lagoas externas são também fontes de larvas de mosquitos entre outros micro-organismos que fazem parte da nutrição equilibrada de nossos kinguios.

Outro fator importante é o controle do estresse, onde peixes que vivem em águas mais escuras não ficam totalmente expostos a o ambiente, como os que vivem em águas cristalinas  como em aquários. Nesse caso podemos pensar na lacração de um ou mais lados do aquário para diminuir o fator de estresse. Diminuindo esse fator que mais uma vez auxilia no desenvolvimento equilibrado do peixe.

Em lugares muito quentes, com muito acesso a o sol, as micro-algas podem fornecer proteção direta contra o calor, tendo áreas de temperatura mais brandas no lago ou tanque, sendo comum a busca dessa característica em pequenas lagoas particulares nos EUA.

Mas cuidado, toda ferramenta pode ter seus pontos negativos.

Durante a noite, as algas começam a competir com os peixes pelo oxigênio da água, podendo resultar em sufocamento dos indivíduos do tanque. É importante que tenham pedras de oxigenação para movimentar a água durante a noite.

“Queimadura” por oxigênio.


Menos comum, mas que pode ocorrer, devido a grande quantidade de O² produzida pela fotossíntese das algas verdes, causando queimaduras nos peixes à medida que bolhas de 0² crescem em suas escamas e estouram.

E o ponto mais delicado para todos os hobbystas entusiastas de kinguios, a baixa visualização do peixe, ponto esse  relatado pela Vermilion Goldfish de Singapura,  em sua página:
    "sendo entusiastas ávidos, preferimos preparar nossos peixes, em vez de vê-los se deteriorando com o passar dos tempos. A fim de obter o melhor dos dois mundos 'girando' nossas coleções de lagoas a céu aberto a cada poucos meses em nossos aquários domésticos."

E como funciona o uso correto dessas ¨ferramentas¨ quando falamos da água verde e da água cristalina, podemos citar os ensinamentos de Wee Yap, entusiasta e criador de Singapura, da página Goldfish ArtQuatics.
 "A água é uma ferramenta para um bom preparo de nossos peixes, e como toda ferramenta devemos saber como usa-la direito." Entendendo pontos importantes como frequência de alimentação, tipo de alimentação e espaço, que podem ser classificadas com as demais ¨ferramentas¨, sem falar nos fatores genéticos. Wee Yap, pontua que a ¨água verde¨ é ideal para o acabamento colorido e proporciona uma temperatura mais estabilizada para os peixes, enquanto  a água cristalina é ótima para desenvolver a profundidade de cor, regulando equilíbrio do Wen e o crescimento longitudinal. Comenta ainda algumas formas de uso mais correto dessas ¨ferramentas¨ para aproveitar o melhor das duas, mas adverte:
"água verde por outro lado pode ser perigosa se não controlada; queimaduras nas barbatanas , desenvolvimento excessivo e crescimento atrofiado são  alguns efeitos indesejados do uso da água verde."

Em meados de 2009 tive um ¨problema¨ com a água verde. Algumas de minhas caixas que tinham acesso a luz solar direta começaram a desenvolver as algas sem controle, e me preocupei ao ver que perdia a visão dos meus peixes. A proliferação ocorreu em três das minhas caixas, local onde eu mantinha alguns de meus telescópios moors. Pesquisei muito encontrando poucas informações referentes a algas, por fim não conseguindo acabar com elas. Mas com os dias comecei a perceber o desenvolvimento diferenciado dos peixes dessas caixas, com um crescimento mais acelerado e coloração negra mais acentuada, até mesmo o formato do corpo era diferente. Nesse momento minha curiosidade por entender o que estava acontecendo  foi a  ¨mil¨, mas na época só o que encontrava eram textos referentes à destruição das algas e mais nada.

Por fim, o ideal é entender como podemos utilizar as diversas ferramentas, disponíveis aos aquaristas, de maneira a aproveitar o melhor de cada uma, trazendo qualidade de vida a nossos peixes e buscando sempre a melhor formação desses indivíduos fascinantes em suas várias formas e cores.

Foto: Marcus Paulussi

Altos níveis de oxigênio.
No processo de fotossíntese, dióxidos de carbono e amônia são consumidos e muito oxigênio é liberado. O kinguio então mantido em amplo espaço externo e com água rica e oxigenada, apresentará um ótimo apetite, crescendo de forma equilibrada, rápida e saudável, tendo também um bom desenvolvimento do Wen em variedades como o Ranchu, Lionhead e o Oranda.

Não há subprodutos.
Uma grande vantagem do processo de fotossíntese sobre o processo de nitrificação é que não a produção de  subprodutos comuns como nitrato ou nitrito.

Tem uma função muito eficaz.
Sendo um sistema muito eficaz de filtragem, barato, fácil e natural, com foco em sistemas externos que buscam o crescimento e desenvolvimentos de kinguios, assume facilmente a função  de filtros industriais.

Mudanças graduais nos parâmetros ambientais.
Sendo que a flutuação gradual, e entenda que quando falo gradual falo moderada de pH e temperatura, auxiliam  fortalecendo a imunidade dos peixes, diminuindo as possibilidades de doenças e queda de imunidade.
Fonte de alimento.    
As algas verdes são uma fonte de proteína de ótima qualidade, cerca de 60% a mais que camarões de salmoura, sendo um nutriente essencial para o desenvolvimento do Wen das variedades como Oranda, Ranchu, Lionhead, entre outras.


 

Esse crescimento rápido acaba por ser um incômodo para muitos aquaristas e entusiastas dos kinguios por obscurecer muito a água, tirando a visão plena de seus peixes, gerando gastos financeiros e de tempo para eliminar esse “incômodo” de seus aquários ou tanques.
Mas em contra partida, como referenciado pela Vermilion Goldfish Club, no Japão e China, países  berço da criação de kinguios, muitos criadores  que produzem campeões para shows e exposições investiram muito tempo em pesquisas para desenvolver o cultivo dessas algas, buscando seus benefícios e até a tonalidade correta de água, para obter o máximo dessa ¨ferramenta¨. Neste caso, utilizando técnicas de fertilização dos tanques e lagoas, enterrando peixes mortos, esterco de aves, ou fertilizantes industrializados que auxiliam na produção dessas algas.

Estudos sistemáticos feitos por clubes no  Japão, por exemplo, acompanham o desenvolvimento de kinguios, em ¨degrades¨ de  águas desde cristalinas até tonalidades mais escuras de água verde, pensando em quantidade de algas flutuantes, como visto no vídeo Fins Antails P2 do hobbysta Alex NG, criador de Kinguios.
"Essa é uma técnica que pode potencializar o crescimento equilibrado e de qualidade do peixe, se bem utilizado."

 Em Singapura, criadores têm o habito de alugar lagoas como ¨hotéis¨ para seus peixes buscando essas  águas verdes para preparo de seus kinguios. Alguns criadores estão aderindo à utilização de mais de um aquário, um com água cristalina e outro com água verde, trabalhando o potencial das duas técnicas.

Os adeptos da  água verde mostram que há uma melhora em determinados pontos, 
como crescimento, coloração e parâmetros da água.

 

Foto: Marcus Paulussi

Foto: Mário Barros