Aquário e  Equipamentos

Planejar o melhor aquário para os peixes

que pretendemos manter exige empenho. Empenho em conhecer a espécie, suas necessidades e comportamento, para então definir o tamanho do tanque e os equipamentos adequados.

Solange Nalenvajko 

Cristiano Souza

Solange Nalenvajko

Planejar significa basicamente proporcionar condições de vida adequadas para os peixes, seu crescimento, saúde e cumprimento da expectativa de vida. Também significa que estamos gastando bem nosso dinheiro não comprando um aquário inadequado, equipamentos subdimensionados ou 
itens desnecessários, coisas que iremos descartar ou substituir em pouco tempo. Planejar significa gastar bem, e gastar uma vez só. Ao ler o texto abaixo, tenham em mente duas premissas:- estamos falando de kinguios adultos. Os exemplares encontrados nas lojas são muito jovens e, portanto, pequenos, variando entre 2 a 6 cm. Crescerão muito até completarem um ano de vida e continuarão crescendo em ritmo menos acelerado até o segundo ano de vida, sendo que o aquário deve ter uma configuração adequada para suportar com qualidade este crescimento; não estamos considerando uma superpopulação. Estamos descrevendo a melhor configuração possível para o aquário em função da espécie mantida e também do número desejado de indivíduos. 

Fotos: Mário Barros

Kinguios vivem bem em grupo e são peixes que ocupam todos os níveis de água para natação. A medida mais importante a se considerar é o comprimento, o espaço disponível para a natação horizontal

Kinguios são peixes que crescem bastante e um aquário com as proporções corretas é essencial para que possa se desenvolver corretamente.

Marco zero
Certo, você decidiu montar um aquário para kinguios. A pergunta relevante é: onde montá-lo? Um aquário de 20 litros para um peixe betta (Betta splendens) pode ser facilmente movido de lugar, já um aquário para kinguios é algo um pouco mais complicado. 
Antes da montagem, visualize o aquário no local escolhido e analise: é um local tranquilo ou de circulação de pessoas? Elas precisam se desviar do aquário quando passar por ele? Há incidência de luz solar (que contribui em alguma medida para o surgimento de algas e, em aquários de menor volume, alteração significativa de temperatura)? O piso está nivelado, o móvel fica bem assentado sobre ele? Há espaço suficiente para se movimentar quando fizer manutenção ou precisar retirar/instalar um equipamento? Fica próximo ao local onde descartará a água da troca parcial e pegará água nova para repor? Há tomadas próximas? Não parece, mas a escolha de um bom local pode facilitar muito sua vida.

E quanto ao móvel?
Será feito especificamente para o aquário ou pretende utilizar algum que já tenha?  Ele suporta com segurança o peso do aquário montado? Um aquário de 200 litros pode pesar tranquilamente 300 kg ou mais quando somado o peso do vidro, água, substrato, ornamentos como troncos e rochas, além de equipamentos. 

O aquário
Kinguios vivem bem em grupo e são peixes que ocupam todos os níveis de água para natação. A medida mais importante a se considerar é o comprimento, o espaço disponível para a natação horizontal. Aquários a partir de 100 cm de frente são confortáveis para as variedades de corpo ovóide (variedades fancy), sendo recomendado um mínimo de 120 cm para variedades de corpo alongado (como cometas, por exemplo), por terem natação mais ágil e rápida.  Para largura e altura, medidas entre 40 e 50 cm são adequadas.
O volume merece consideração especial, sendo definido habitualmente por uma composição de um volume para o primeiro peixe e outro menor para os demais. Entre as indicações mais comuns estão as de 80 a 100 litros para o primeiro exemplar e 40 litros a mais para cada indivíduo adicionado. No caso de kinguios de corpo alongado, indica-se um volume maior: 120 litros para o primeiro indivíduo e 50 litros a mais para cada indivíduo adicionado. 
Observação. Lembre que o mesmo volume de água pode ser conseguido em aquários com diferentes medidas. Exemplo? Suponha que decidi montar um aquário de 160 litros para manter dois kinguios telescópio. Posso conseguir este volume tanto em um aquário de 100cm x 40cm x 40cm como em um de 80cm x 40cm x 50cm (comprimento x largura x altura).  Privilegie o de maior comprimento.

Foto: Marcus Paulussi

Tampas de vidro, 
usar ou não?
Tampas apresentam algumas vantagens como evitar a evaporação excessiva e perda de calor em épocas frias; são uma barreira para a entrada de poeira, outros poluentes sólidos e insetos; protegem lâmpadas, chão e paredes de respingos d’água.  
Por outro lado dificultam as trocas gasosas entre água e ar - algo importante para a adequada oxigenação da água -, contribuem para aumentar a temperatura em épocas quentes, atrapalham a penetração da luz (relevante, caso tenha plantas), além do transtorno que causam quando há necessidade de retirá-las, vista a condensação de água que ocorre nelas. 

Nesse caso, tanques de cimento foram utilizados ao invés de aquários de vidro. Tanques baixos e largos são excelentes para manter kinguios, especialmente as variedades fancy. 

Fotos: Mário Barros

Aquários de aspecto "Clean" são cada vez mais populares entre os criadores de kinguios. Esse tipo de sistema visa a praticidade na manutenção do aquário, menor acúmulo de sujeira, evita desperdício de alimento e valoriza a beleza do peixe já que não possui decorações chamativas ou fotos (poster) no fundo.

Filtro  
Considerando que o aquário para kinguios pede um maior volume de água e também que estes peixes produzem grande quantidade de fezes, os filtros recomendados são basicamente o canister ou o sump. A escolha por estes modelos deve-se ao fato de possuírem maior espaço para comportar mídias biológicas, local onde se concentrarão as colônias de bactérias nitrificantes.
Filtros modulares internos (também conhecidos como filtro de bactérias ou Filtro Biológico Modular) é outra boa opção para aquários com volume de até 200 litros. Os inconvenientes ficam por conta de ocupar um espaço que seria destinado para natação, a necessidade de ser removido do aquário para limpeza e o aspecto estético em si.
E filtros tipo hang on, é possível usar? Não são recomendados para aquários definitivos onde vivam animais adultos por possuírem pouco espaço para as mídias, o que pode comprometer principalmente a filtragem biológica. Para aquários temporários como os de quarentena ou crescimento e engorda tornam-se uma opção razoável, embora exigindo do aquarista trocas de água de maior volume ou então menos espaçadas e atenção redobrada a qualquer sinal de amônia e/ou nitrito, além de oscilação ou queda de pH.

Filtros hang on são uma alternativa para quem procura por um sistema de filtragem razoável e de baixo custo. Esse tipo de filtragem possui limitações é aconselhável trocas de água semanais e limpeza rigorosa de substrato (caso utilize) para que seja capaz de suportar toda a carga orgânica produzida pelo pelo seu sistema.

Filtros canister possuem uma ampla área que é interna essencial para acomodar uma grande quantidade de mídia filtrante.

Termostato é um tipo de aquecedor para aquários com regulagem de temperatura, recomenda-se uma potência de 1w por litro de água. Lembrem-se os kinguios preferem temperaturas mais amenas mantenha o termostato regulado em 20C apenas para ajudar a manter a temperatura em caso de mudança súbida de clima na região aonde mora.

Aquecedor /Resfriador
 
O uso de um ou até ambos os equipamentos é o que nos permite manter a temperatura da água dentro da faixa de conforto ótima para a manutenção da espécie.  A temperatura regula e interfere em vários aspectos fisiológicos como alimentação, digestão, respiração e reprodução:
- temperaturas baixas reduzem o metabolismo para poupar energia, diminuindo o consumo de oxigênio, excreção de gás carbônico e amônia, o consumo de alimento e, portanto, o crescimento;
- temperaturas altas aceleram os batimentos cardíacos e a respiração, aumentam o consumo de oxigênio e alimentos, sendo um fator de aceleração de crescimento e também de poluição da água pela maior quantidade de excreções;
- temperaturas altas diminuem a quantidade de oxigênio dissolvido na água;
- a temperatura afeta a digestibilidade dos nutrientes influindo no tempo de trânsito gastro-intestinal, sendo este mais rápido em temperaturas mais próximas à faixa de conforto para a espécie;
- é considerada determinante no processo reprodutivo.
Iluminação
Caso não haja plantas no aquário, a iluminação pode ser amena e sua finalidade será apenas para observação dos peixes além da delimitação do período de dia e noite (atividade e repouso). Havendo plantas, busque uma iluminação que propicie o bom desenvolvimento destas. Habitualmente o fotoperíodo varia entre oito a dez horas e pode ser regulado através de um timmer. 
Curiosidade: Em ambientes escuros (sem iluminação artificial e/ou natural) os kinguios tendem a desbotarem, perderem sua cor. Suas escamas contêm células especiais que liberam um pigmento quando expostas à luz, mas quando mantidos na escuridão ou iluminação muitíssimo fraca, este pigmento deixa de ser produzido e a cor começa a desbotar, podendo chegar próximo do branco. 

Diferentes espectros de luz podem ser observados nessa luminária de led, embora possuam um custo mais elevado o baixo consumo de energia proporciona uma economia a longo prazo.

Elementos decorativos: o que levar em consideração

Texto e fotos: Solange Nalenvajko

Uma boa decoração envolve não apenas a beleza e efeito estético, mas também alguns cuidados com relação aos kinguios.  Da escolha do substrato passando pelas rochas, troncos, objetos ornamentais, até chegar às plantas – sejam elas naturais ou artificiais – há uma série de detalhes aos quais devemos prestar atenção.
Painel de fundo

Existem inúmeras opções, mas a escolha mais comum é o preto por fornecer um grande contraste ao colorido dos kinguios. Cores claras tornam evidente qualquer acúmulo de algas no vidro traseiro e paisagens tendem a oferecer muitos detalhes de cores e formas, prejudicando um pouco (ou muito) a apreciação do padrão de cores dos peixes.

Substrato

Na escolha do substrato basta tomarmos alguns cuidados simples, considerando a forma como os kinguios se alimentam (buscando alimentos junto ao substrato) e a facilidade no momento da manutenção. Uma opção que merece ser descartada são as famosas “pedrinhas e/ou areia coloridas” artificialmente. Ao longo do tempo a tinta utilizada para tingir estes materiais é liberada na água o que pode, em algum grau, comprometer sua qualidade e a saúde dos peixes (intoxicação).  Em termos estéticos, o aquário fica com um aspecto artificial. Com relação ao tamanho, evite granulações de maior dimensão como cascalho (seixo) grosso ou muito grosso (16–32 mm e32–64 mm respectivamente, segundo a Escala de Krumbein). Neste caso, podemos ter dois tipos de problemas: o primeiro é o acúmulo de material orgânico (fezes e restos de ração) entre as pedras e abaixo delas, dificultando sua remoção pela sifonagem. A acumulação constante destes resíduos orgânicos significa que sempre haverá matéria orgânica para ser degradada por bactérias decompositoras gerando posteriormente amônia, nitrito e nitrato, degradando a qualidade da água.

Além de serem muito benéficas ao aquário, plantas dão um ar extremamente natural a qualquer montagem. Várias são aceitas pelos kinguios e podem ser usadas na montagem, desde que se tenha uma boa dose de persistência e paciência.

Evite substratos coloridos artificialmente ou aqueles de grande granulometria. Os mais adequados são as areias pois facilitam a sifonagem de detritos, enraizamento de plantas e evitam problemas de engasgamento. 

O segundo problema é a possibilidade real de que algum kinguio, no momento de alimentar-se, engula um seixo e o mesmo entale em sua boca. Nem sempre a remoção é fácil ou mesmo possível, o que termina por levar o peixe a óbito. Cascalhos pontiagudos também devem ser considerados com atenção. 

Um exemplo é o basalto, amplamente utilizado em aquários por contrastar com o colorido dos kinguios, mas que eventualmente pode causar pequenos ferimentos na boca.São pouco indicados para  variantes como kinguios bolha, por exemplo, pela possibilidade de ocasionar o rompimento das mesmas. Lembre que alguns substratos são de origem calcária e podem elevar o pH da água acima da faixa de conforto para kinguios. Depois de colocados, a única alternativa para baixar o pH para o intervalo adequado será a remoção total ou parcial do substrato substituindo-o por outro inerte. Caso o aquário não seja mono-espécie, verifique se o substrato escolhido é adequado também para os eventuais companheiros de aquário. Dojos (Misgurnus anguillicaudatus), por exemplo, têm por hábito enterrar-se no substrato e será bem mais fácil que façam isto em areia de baixa granulometria do que em basalto, onde correm o risco de ferir-se. 

Rochas

Evite sempre rochas pontiagudas e com arestas afiadas, já que podem causar desfiamento de caudas, ferimentos em olhos, rompimento de bolhas, além de esfoladuras e perda de escamas, principalmente em período reprodutivo.
Optando por um arranjo de rochas, certifique-se de que estão assentadas de maneira firme, de modo que não caiam sobre algum peixe. Silicone, cola instantânea ou mesmo massa epóxi são usados para fixar uma rocha a outra, evitando qualquer acidente. 
Outro ponto a observar são os vãos deixados entre as rochas, que devem ser ou mínimos para que os peixes não passem por eles ou largos o suficiente para que passem com folga. Kinguios tentando passar em espaços muito justos podem ficar literalmente entalados, machucando-se ao tentar se libertar. 
Pedras arredondadas como seixos de rio são bastante seguras.

Troncos

Muitas pessoas não costumam usa-los no hardscape partindo da premissa de que  acidificarão a água, situação que realmente ocorre ao longo do tempo com maior ou menor impacto, na dependência da quantidade de madeira colocada em relação ao volume do aquário. Usados de maneira parcimoniosa é um recurso interessante para manter plantas de rizoma sem alteração significativa de pH.
Algumas madeiras, como aroeira, são ricas em taninos, sendo estas substâncias liberadas na água alterando sua cor em algum grau. Tratando-se de troncos coletados, observe as orientações sobre secagem e tratamento antes de adiciona-los ao aquário. Cuidado com pontas afiladas e arranjos com galhos ou raízes mais finos e pontiagudos uma vez que podem ocasionar acidentes, normalmente machucados em olhos.

Ornamentos

 Existem vários específicos para aquários e pode-se fazer uso deles conforme a preferência pessoal. Para outros ornamentos de uso comum (pequenas estatuetas, vasos, pedras semi preciosas lapidadas ou não, etc) verifique se o material é inerte e se o objeto não apresenta características que possibilitem risco aos kinguios. 

Plantas

É um recurso de efeito estético exuberante para o aquário, proporcionando um aspecto mais natural e inclusive criando áreas menos expostas para os peixes e usadas basicamente para descanso ou proteção. 
Plantas artificiais de boa qualidade proporcionam um efeito muito próximo às plantas naturais. Embora não contribuam em nada para a melhoria da qualidade da água possuem alguns pontos positivos no que se refere à sua manutenção: 
- podem ser retiradas, limpas e devolvidas ao aquário sem nenhum problema;
- não há o trabalho de podas, perda por infestação de algas ou preocupação com a iluminação;

 

- não há gasto com fertilizantes. Caso use este recurso escolha aquelas fabricadas com folhas feitas em material macio e próprias para aquário, evitando possíveis rasgos em caudas. Já o uso de plantas naturais é um caso completamente a parte e um tanto mais complexo e o principal motivo para isto é o hábito alimentar dos kinguios: onívoro com tendência herbívora. Do ponto de vista deles, a maioria das plantas são encaradas como alimento e não como decoração.  Considerando isto, é importante pesquisar quais são as plantas com maior possibilidade de serem aceitas e, ao mesmo tempo, dar atenção especial à alimentação, incluindo na dieta rações com base vegetal e alimentos complementares de origem vegetal. Outro fator que dificulta a manutenção de plantas no aquário é a época reprodutiva.  Durante toda a corte e desova as plantas mais delicadas (notadamente as de caule) tendem a ser quebradas ou amassadas. E, como se já não fosse o suficiente, depois disto costumam sofrer danos severos quando os kinguios vão se alimentar dos ovos grudados em suas folhas. Finalmente, algo que ocorre com frequência são plantas arrancadas do substrato, principalmente aquelas não enraizadas e colocadas quando a fauna já está presente.  Caso queira plantas naturais mas optou por um aquário bare bottom (sem substrato), sempre há a possibilidade de coloca-las em pequenos vasos/recipientes de cerâmica, plástico ou vidro grosso.

Aquário minimalista

Conceitualmente, o minimalismo se caracteriza por destacar o fundamental, abrindo mão de todos os elementos não essenciais. Em síntese, significa manter a simplicidade, reduzindo tudo o que for desnecessário ou supérfluo. Aplicar este conceito a aquários basicamente implica em abrir mão de todo o material “decorativo” como rochas, troncos, ornamentos artificiais, plantas e até mesmo substrato (os conhecidos aquários bare bottom), focando no essencial: qualidade da água, saúde e beleza dos peixes.
Pouco habituados a este tipo de montagem, costumamos achar estes  aquários feios e sem graça alguma, praticamente um expositor de loja, mas o estilo minimalista traz grandes vantagens em termos de redução de gastos, trabalho e tempo de manutenção. 
O óbvio: menos coisas, menor o custo de montagem do aquário. Substrato, rochas, troncos, plantas, fertilizantes, luminária adequada para as plantas, são alguns exemplos de itens que deixam de fazer parte da lista de compras.  
A sifonagem é mais eficiente e rápida já que os dejetos ficam extremamente visíveis. Dependendo do substrato usado os resíduos acabam sendo mascarados, ficando menos evidentes e deixando de serem sifonados. Conjunto de rochas e/ou troncos além de locais com maior densidade de plantas também podem funcionar como pontos de acúmulo de detritos, nem sempre visíveis ou de fácil remoção.

O aquário minimalista preza pela exclusão de qualquer item que seja supérfluo ao pleno e adequado funcionamento do aquário, o que inclui desde plantas e objetos decorativos até o substrato. A principal vantagem é a facilidade na manutenção, melhoria da qualidade da água e exposição daquilo que realmente é o foco do aquário: os kinguios.

A oferta de ração e alimentos alternativos pode ser mais bem dimensionada já que não há locais de difícil acesso onde possam cair sem que os peixes consigam pega-la. Da mesma forma, podemos observar facilmente se todos os peixes estão se alimentando de maneira adequada, principalmente se mantivermos variantes mais ágeis junto a outras mais lentas. A ausência de ornamentação torna disponível uma maior área de natação, além de propiciar que o volume real seja mais próximo ao volume bruto. Vidros de fundo e traseiro escuros proporcionam um contraste perfeito para o colorido dos kinguios. 
Independentemente de como decida montar o aquário, faça-o com ornamentos seguros aos kinguios e com um hardscape que permita ampla área livre para natação. Prefira gastar naquilo que é essencial: um aquário de porte adequado e equipamentos bem dimensionados. Espaço, qualidade de água e de alimentação é o essencial para termos peixes saudáveis. O conjunto de itens decorativos pode ser muito bonito, mas será sempre acessório.

Outros itens
Produtos que jamais devem faltar são os testes básicos para conferir a qualidade da água (pH, amônia e nitrito), um condicionador de água e um termômetro para  aferir a temperatura e consequentemente o desempenho do aquecedor. 
Para a manutenção é necessário um sifão (que pode ser adquirido em lojas de aquarismo ou feito em casa), baldes para serem usados apenas para esta atividade, redes para retirar peixes quando necessário, limpador magnético (opcional, muitas pessoas preferem limpar os vidros com perlon, esponja ou material afim). 

Passo a Passo - Como automatizar um compressor de ar a pilha pra funcionar automaticamente na queda de energia.

Cristiano Souza

Sempre um stress e motivo de arrancar os cabelos quando um aquariofilista passa pela indigesta situação de falta energia. É com esse proposito que venho mostrar passo a passo, utilizando poucos componentes de fácil acesso, como automatizar um simples compressor de ar a pilhas pra entrar em operação quando falta energia.

Além dessa necessidade muitos aquariofilistas podem adquirir dois compressores e automatiza-los para funcionar em emergências. Recomendo que sejam instalados de modo fixo, com mangueiras e pedras porosas instaladas discretamente dentro dos aquários e nas mídias biológicas pois é fundamental manter ao menos oxigênio nelas, já que são grandes consumidores.

Em outro tutorial posso mostrar como eliminar as pilhas e adaptar os populares “carregadores sem fio”, bancos de baterias para carregar celulares, para servirem de alimentação a essas bombas. Para isso, também será necessário fazer um regulador de tensão para baixar de 5 V para 1,5 V, que é a tensão de alimentação exigida pelos motores desses compressores a pilha. Felizmente podemos comprar prontos esses reguladores pela internet, o que facilita muito as pessoas que têm pouco ou nenhum conhecimento em eletrônica.

Pronto, sem mais delongas vamos ao que interessa, segue abaixo a lista!

Lista de Material Necessário:

Um compressor de ar a pilhas (usei o modelo D-200 fabricado pela BOYU).

Uma fonte DC 12 V comum que forneça corrente elétrica a partir de 100mA.

Um micro relê com bobina de 12 V e contatos normalmente fechados.

Um Plugue tipo P4.

Um receptáculo para Plugue P4.

Um multímetro comum pra medir tensão e continuidade.

Ferro de soldar de baixa potencia, exemplo 30 W.

Um pouco de solda (estanho, com ou sem chumbo).

Um alicate de bico fino.

Um alicate de corte.

Uma bisnaga de cola instantânea (exemplo superbonder).

Uns 5 metros de fio fininho (cor vermelho, preto e outra cor a gosto). Pode variar dependendo da distancia da bomba e da fonte de 12 V.

Uma coca cola! (Ninguém é de ferro kkkkk).
 

Descrição de funcionamento

Uma vez realizado o processo de adaptação, o relê ficará sendo alimentado por uma fonte DC de 12 V, que manterá os contatos abertos impedindo o funcionamento. Quando ocorrer a falta de energia na sua residência, essa fonte vai parar de funcionar, deixando de alimentar o relê, fazendo os contatos repousarem fechados e permitindo que a energia das pilhas chegue até o motor, que por sua vez vai comprimir o ar, que será enviado pelas mangueiras, saindo pela pedra porosa, oxigenando seu aquário e/ou as mídias biológicas do filtro. Ufa!

Cabe aqui uma observação: o switch de liga-desligada do compressor deve estar na posição liga.

Falta de energia elétrica pode ser fatal para a biologia de seu aquário. Automatizar um compressor a pilha é uma prevenção que pode salvar seus peixes.

Montando a automatização

 

Ao abrir o compressor a pilha, vemos um espaço bom para colar o micro rele.

Uma vez identificado o espaço, podemos examinar de perto o micro relê.

Devemos identificar os terminais de alimentação e dos contatos normalmente fechados.

Uma vez identificados os terminais utilizados podemos soldas os fios no relê.

Olhando para o espaço vazio podemos posicionar o relê e fazer o buraco pra fixar o receptáculo do plugue P4.

Nessa já tenho colados o relê colado e o buraco pronto. Podemos fixar o receptáculo do plugue P4.

 

Nessa foto vemos os fios positivo e negativo da bobina do relê soldados no receptáculo.


Podemos ligar os fios dos contatos normalmente fechados do relê no motor e no switch liga-desliga do compressor de ar.

 

Nessa foto podemos ver os fios preto e vermelho dos contatos normalmente fechados do relê soldados um no switch liga-desliga e outro no motor.

Agora o compressor está pronto e podemos fecha-lo.

Agora, caso precise, precisamos fazer o cabo de alimentação de 12V da fonte que vai ligar no compressor, ou talvez o cabo da sua fonte já sirva para conectar no compressor.

Como o plugue que comprei é muito vagabundo, kkkkk tive que dar um bom reforço na solda. Até que consegui deixa-lo bem fechadinho. UFA!

Tudo Pronto!

Para finalizar
Procure sempre montar o melhor aquário possível para a quantidade de peixes que deseja manter. Um aquário bem planejado significa menos gastos futuros com novas compras e a segurança de um espaço adequado, salubre e permanente para os peixes.  Seis kinguios jovens em um aquário de 100 litros com um filtro modelo hang on significa que em seis meses o aquarista estará gastando novamente na montagem de um aquário maior e definitivo. Estude, planeje, prefira montar algo que não precise de correções e/ou substituições depois.  Facilita sua vida e promove o bem-estar dos animais.

Foto: Mário Barros