Benefícios do Sal

O sal é um antibiótico natural poderoso que deve fazer parte do kit de sobrevivência de qualquer aquarista

Marcus Vinicius Silva Paulussi
Fernando Sérgio Alves Monteiro

COMO O SAL PODE SALVAR SEU KINGUIO

No mundo do aquarismo existe uma grande diferença no que diz respeito a o tratamento de doenças, quando comparamos a animais terrestres, sendo que no universo subaquático, temos tratamos o ambiente, para ai sim chegar a o individuo, trabalhando com medicações na agua para as mais variadas finalidades.

Um componente essencial no “kit de sobrevivência” de qualquer aquarista ou criador de peixes, é o sal          (Cloreto de Sódio), que pode ser empregado para diversas finalidades, como combate a parasitas, regulador osmótico, entre outras funções que iremos debater nesse artigo.

Quando falamos do uso de sal, faço uma advertência, a tolerância de níveis de sal para  determinadas espécies, como a exemplo,  os cascudos peixes  da família Loricariidae, também conhecidos como acari, peixes da família dos calictiídeos, do gênero Corydoras,  entre outros não toleram adição de sal em seus habitats, esse artigo foi elaborado para o manejo e utilização nos  Carassius auratus, kinguios em especifico.

Há muitos anos criadores de peixes ornamentais e aquaristas, utilizam o cloreto de sódio, sendo de fácil acesso e de baixo custo.
Inicialmente se ouvia falar somente de sal marinho, mas é mais caro e de difícil acesso, hoje já a relatos do uso do sal grosso, com os mesmos resultados e por valor bem menor, (sal grosso, sem tempero!!!)

Arte: Cida Porto

 Foto: Mário Barros

O sal é um antibiótico natural poderoso que deve fazer parte do kit de sobrevivência de qualquer aquarista

Pontos importantes

O uso do sal tem varias indicações, no combate a agentes agressores devido a reações como, o controle de osmótico, onde se há pouco sódio, mais líquido entra nas células, se há muita concentração de sódio, mais líquido sai das células. Efeito esse que acontece nos mamíferos assim como nos peixes, e também nos parasitas e agentes agressores, essa afirmação, contempla dois lados, efeitos benéficos e prejudiciais, onde a quantidade a cima da tolerada pelo individuo pode leva-lo até mesmo a óbito devido a lesões e desidratação.
Entendemos que alguns parasitas podem ser resistentes a o uso do sal, seu efeito no tratamento de fungos e bactérias ainda necessita de mais estudos (esses que nos da SBK estamos engajados em fazer), outro ponto importante é entender a concentração de sal x água, tanto para tratamento quanto a tolerada por cada espécie de peixe, parte que comentaremos mais a frente.

Alguns aquaristas e produtores defendem a premissa que, assim como não devemos nos medicar sem devida afecção ocorrendo, não se deve fazer uso do sal como condicionador de água, tendo como efeitos colaterais, levar a resistência de agentes agressores, diminuído o de combate do sal, alterações nos peixes também podem ocorrer levando a queimadura, e lesões fatais. 

Medidas de concentração e suas finalidades

Wee yap, em sua página comenta sobre duas concentrações de uso em Singapura, 
Salina a 2% e salina a 0,5%.

Salina a 2%, equivale a 20 gramas de sal por litro de água, usado normalmente, para mergulhos curtos, chamados de “Choque” com a função de alcançar micro parasitas como, vermes branquiais e corporais.
Salina a 0,5%, que corresponde a 5 gramas de sal por litro de água, sendo empregado em aclimatação a curto prazo  e tratamentos durante a quarentena.

No vídeo do Mestre Ueda San (Ueda San of Kihito) de Tóquio, Japão onde explica que os criadores de lá utilizam a solução de 0,6%, ou seja 6 gramas de sal por litro de água, e enfatiza a troca total de água a cada 24 horas em  seus tratamentos.

Formas de medir a concentração de sal

Podemos medir quantidade de sal a ser usada, de duas formas praticas, uma seria pelo peso, onde usamos, uma balança de precisão, exemplo:

Salina a 0,5% = 5gramas de Sal
Salina a 0,6% = 6 gramas de Sal
Salina a 2% = 20 gramas de sal

Outra forma de medir a salinidade, talvez forma essa mais usada pelos aquaristas marinhos, é usando o instrumento óptico conhecido como refratômetro.
Técnica que consiste em recolher 3 gotas de água sobre a superfície óptica, feche o electrodo. Olhe através da lente contra uma fonte de luz para ver as leituras.
Dependendo do modelo do refratômetro, use a escala ‰ (ou por-mil) no lado direito e consulte a figura a seguir para obter leituras de salinidade de 0,5% e 2% destacadas em vermelho.
Observe que 1 ‰ = 0,1% e leia as instruções de acompanhamento do refratômetro para uso e calibração adequados.

Sal no combate a

agentes agressores

Devemos mencionar o sal como agente terapêutico, usa-se a proporção de 0,5%, que tende a acalmar o individuo, melhorando a função das guelras e optimizando a pressão osmótica, auxilia também acelerando cicatrização de ferimentos ou abrasões, e na produção de muco, age bem contra os ovos e propagação de muitos parasitas.
Atenção ao uso do sal junto a outros medicamentos, pode ter anulação do efeito, ou alteração da farmacocinética tendo efeitos imprevisíveis e fatais.

Aclimatando novos indivíduos

 Foto: Mário Barros

Mergulhos curtos em uma solução salina podem dar cabo de parasitas como vermes branquiais e corporais

Sempre é um momento de muita atenção a chegada  de novos integrantes a nossos sistemas já equilibrados, mesmo quando devidamente quarentenados, devemos ter cuidado na introdução pois não é incomum o relato de aquaristas que perderam todos seus peixes devida a essa introdução, pois cada sistema possui seus níveis de equilíbrio e os agentes de um sistema podem  destruir indivíduos  de outros.

Wee Yap destaca uma técnica interessante já utilizada por mim, e  posso dizer que com sucesso em comparado as vezes que não usei da mesma técnica antes de introduzir novos peixes, mas atenção esse procedimento deve ser  feito com segurança e com muito cuidado.
O processo é chamado de “procedimento de imersão salina” onde se busca uma desinfecção final e melhora na imunidade dos novos indivíduos. Começamos por inspecionar o peixe a ser introduzido, com cuidado e se for de tamanho adequado, levante levemente o opérculo, inspecionando as guelras, buscamos um vermelho vivo com seus filamentos bem definidos, o que não desejamos é falta de brilho, ou palidez, ou presença visível de micro-organismos.

Vamos ao procedimento

1) Mude 80% a 90% da água da lagoa / tanque e adicione a nova água sem cloro. 

2) Use sal grosso (não use o sal de mesa com condimentos) para dosar o tanque com salinidade de 0,5% (certifique-se de que todo o sal esteja derretido antes de fazer as leituras).

3) Prepare um pequeno recipiente de água sem cloro com solução salina a 2%. Se o recipiente for grande, você pode executar o mergulho de sal para mais peixes ao mesmo tempo, caso contrário, você pode fazer um de cada vez. 

4) Mergulhe todos os peixes novos e atuais de sua coleção que você deseja misturar, no pequeno recipiente com a solução salina de 2%, de 3 a 5 minutos. Os peixes vão lutar e podem até flutuar para os lados e puxar o ar. Se você é novo nisso e ainda não está tão confiante, poderá realizar mergulhos mais curtos em alguns intervalos.
5) Retire o peixe e deixe-os recuperar em uma tigela pequena de água limpa sem cloro por 5 minutos e depois pode coloca-lo de volta para a lagoa / tanque que foi previamente dosado com salinidade de 0,5%. 

6) Neste período, faça uma alimentação muito leve e monitore se todos os peixes estão ativos. Se for necessária uma mudança de água, dose novamente a nova água para salinidade de 0,5%.

7) Repita os passos 4) a 6) no 4º dia, 8º dia e 12º dia para eliminar os vermes adultos e larvas que eclodem aproximadamente a cada 3 a 4 dias.

Como explicado acima podemos afirmar que o sal é uma “ferramenta” muito importante na vida do aquarista/ criador, seus pontos positivos se bem usado são vários, como tratamento de envenenamento por nitrito, reduzindo a absorção de nitrito.
Seu efeito osmorregulador, peixes possuem salinidade especifica em cada célula e seu organismo elimina pequenas quantidades de sódio todo tempo. Se o peixe não tiver a devida reposição de eletrólitos pode entrar em choque osmótico, que vai alterar varias funções fisiológicas do peixe, podendo leva-lo a óbito.
Mantendo o equilíbrio no meio em que está nosso peixe, mantemos um fluxo saudável de oxigênio e dióxido de carbono.
A característica de melhora no sistema imunológico, acontece devido a o peixe poupar energia  para absorver e metabolizar sódio por ação dos banhos , mobilizando energia para funções de cura e resposta a agressões.
Otimizando assim o efeito reparador de danos causados por falta de oxigênio, cloro, cloraminas, ou mesmo auxiliando no envenenamento pelo hormônio de crescimento, cujo o tema debateremos em outro artigo.
Entenda que se seu peixe estiver sofrendo com algum agente agressor, parasitas ou bactérias, e estiver com sua proteção de muco fragilizada, com a função das brânquias diminuídas, sob privação de oxigênio, ou seja, em situações de estresse, as chances de recuperação do peixe são baixas, mas podemos aumentar essas chances, com estudo, carinho e atenção e fazendo uso das ferramentas corretas.

Bibliografia

https://www.youtube.com/watch?v=jRk2YZKU10k&t=108s
Ueda San de Kinhito.net O cuidado do japonês Top View Ranchu
Tanega Ranchu  Publicado em 18 de fev de 2017.
http://ranchukitsilano.blogspot.com.br/search?q=salt  Richard Lim.
http://goldfishartquatics.blogspot.com.br/2013/08/a-pinch-of-salt.htmlUma pitada de sal ~ 一把鹽
Quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Wee Yap.

Ji-QiaoWang Influence of salinity on food consumption, growth and energy conversion efficiency of common carp (Cyprinus carpio) fingerlings Volume 148, Issues 2–3, 15 January 1997, Pages 115-124.

Semra Küçük  The effects of salinity on growth of goldfish, Carassius auratus and crucian carp, Carassius carassius Accepted 4 April, 2012.
 Christina Crowe http://completegoldfishcare.com/goldfish-tank/freshwater-aquarium-salt/Should You Add Freshwater Aquarium Salt to a Goldfish Tank?
http://completegoldfishcare.com/goldfish-diseases/aquarium-salt-treatment/ How to Use Aquarium Salt: An Aquarium Salt Treatment Guide.

 Brenda Rand https://goldfish-emergency.com/gfe-knowledge-base/art-of-goldfish-koi-articles/art-of-goldfish-photography/.

Foto: Mário Barros