Quarentena

Ninguém gosta de ver seu peixe doente e infelizmente muitos patógenos são facilmente introduzidos com a aquisição de peixes novos. Quarentena é nossa primeira frente de defesa.

Rosana Ferreira

A fim de evitar que os peixes novos introduzam parasitas e bactérias no aquário principal, convém deixá-los no aquário de quarentena para permitir a uma possível infecção se manifestar e desta forma proceder tratamento.

Os peixes saudáveis possuem resistência à maioria das doenças conhecidas, no entanto algumas condições podem fazer com que essa resistência seja abalada.  O estresse é o maior fator de baixa da imunidade, condições como incompatibilidade de espécies no aquário, choque de temperatura, amônia elevada, alimentação de baixa qualidade, transporte, etc, deixam os peixes susceptíveis a contrair doenças.
Os peixes chegam das lojas muito estressados e muitas vezes fracos. Então, a fim de evitar que os peixes novos introduzam parasitas e bactérias no aquário principal, é melhor deixá-los no aquário de quarentena para permitir que uma possível infecção se manifeste e assim, iniciar o tratamento. O aquário destinado à quarentena não deve ser muito pequeno, mais ou menos 50 litros para peixes pequenos e médios. É sensato manter o peixe em tal aquário por volta de 4 a 6 semanas, considerando que há parasitas de ciclos mais longos e que portanto se manifestariam mais tardiamente.
Na ausência de um aquário propriamente dito, uma caixa organizadora de plástico pode desempenhar a função de maneira satisfatória.
Normalmente o aquário de quarentena não permanece montado quando não há peixes novos ou doentes, o que o faz carente de bactérias nitrificantes para efetuar a filtragem biológica. Isso pode ser contornado mantendo um filtro de espuma no aquário principal, transferindo-o para o aquário de quarentena quando em uso, assim, alguma biologia ficará disponível. 
A montagem desse tipo de aquário deve ser simples, típico “aquário pelado” contendo somente o essencial para as condições de temperatura e qualidade da água, tais como:
Termostato com aquecedor  e termômetro – imprescindível para prevenir oscilações de temperatura ou aumentar a temperatura de forma segura se necessário.
Filtro Esponja – Esse tipo de filtro é excelente para a filtragem mecânica, removendo partículas em suspensão e propiciando abrigo e formação de colônias de bactérias nitrificantes. Além disso, garante a aeração da água.

 

Ilustração Cida Porto

O filtro esponja é um dos mais utilizados em todo o mundo, possui ampla superfície para colonização de bactérias nitrificantes e  ajuda na aeração do aquário 

Não é aconselhável substrato a fim de facilitar a limpeza e nem plantas, uma vez que podem servir de abrigo a possíveis patógenos, porém, é necessário algum abrigo para o peixe e para isso podemos recorrer a uma rocha ou cano de PVC. 
Enquanto funcione como quarentena, as condições de água devem ser mantidas as mais próximas possíveis da água do aquário principal, para que os recém chegados possam ir se acostumando. A iluminação também pode ser parecida assim como toda a rotina. Os peixes devem ser observados diariamente. 
Se uma doença vier a se manifestar, esse aquário passará a ser um aquário hospital. Nesse caso, as condições da água devem ser as melhores, a fim de ajudar o sistema imunológico a combater a doença. A iluminação deve ser fraca, devendo ser suficiente apenas para visualizar o peixe e conferir seu estado, lembrando que há medicamentos que se degradam com a luz.
É muito importante manter a qualidade da água no aquário hospital, pois assim o peixe poderá utilizar suas energias somente na cura e não desperdiçando-a lidando com o estresse fisiológico.

Muitos dos medicamentos prejudicam a colônia de bactérias nitrificantes e por conta disso TPAs diárias deverão ser efetuadas rigorosamente para:
Remoção de grande parte dos patógenos – permitindo assim maior controle dos mesmos.
Remoção de substâncias tóxicas liberadas - excretas resultantes do metabolismo dos peixes (amônia, nitrito) acumulados durante o dia.
Redosagem da medicação - garantindo uma meia vida maior do medicamento, desta forma aumentando sua eficácia.
A aeração deve ser reforçada, uma vez que medicamentos diminuem a taxa de oxigênio na água.
Outra coisa a ser observada é que nada que foi utilizado no aquário hospital deve ser compartilhado no aquário principal, sob o perigo de promover contaminação neste último. O uso de filtragem química (carvão e resinas) também deve ser evitado, já que acabam por adsorver a maioria dos medicamentos.

 

Evite substrato a fim de facilitar a limpeza e nem plantas, uma vez

que podem servir de abrigo a possíveis patógenos.

Estando a cura consolidada, o peixe deve voltar a quarentena por um período de pelo menos duas semanas, mas já iniciando sua adaptação para ingressar no aquário principal. Isso pode ser feito utilizando-se água do aquário principal como água de reposição para o aquário hospital, a fim de ajustar os parâmetros entre ambos. Ao fim do período de quarentena, se os parâmetros entre os aquários estiverem parecidos, procede-se a transferência.
Concluído esse processo, o aquário e tudo o que nele estava em uso deverá ser desinfectado. Uma boa maneira de fazer isso. é providenciando uma solução de água sanitária (50% água sanitária + 50% água), deixando tudo de molho por algumas horas. A solução de permanganato de potássio também pode ser utilizada, mas deve ser manuseada com muito cuidado devido sua toxicidade e capacidade de manchar certos materiais.

Com a aplicação desses cuidados, a chance de haver problemas com a introdução de novos habitantes é muito reduzida. Mas devemos lembrar que os peixes trazem consigo uma gama variada de micro-organismos que fariam mal a eles se não estivessem sob controle, e a imunidade é a responsável por isso. Compete a nós mantermos as boas condições de água, providenciar alimentação de qualidade e observar as necessidades da espécie, impedindo assim que a imunidade seja abalada, ocasionando a instalação de doenças. 


Bibliografia:

“Quarentena, entenda sua importância”,  Eiti Yamasaki – Aquarismo Online (AqOl)

https://www.lowcostveterinarios.pt/arca-de-noe/aquario-de-quarentena-o-hospital-de-peixes/?utm_source=rss&utm_medium=rss

https://goldfish-emergency.com/gfe-knowledge-base/art-of-goldfish-koi-articles/hospital-tank-setup-goldfish/

https://www.ratemyfishtank.com/blog/how-to-set-up-a-hospital-tank

Muitos dos medicamentos prejudicam a colônia de bactérias nitrificantes

 e por conta disso TPAs diárias deverão ser efetuadas.

Ninguém gosta de ver seu peixe doente e infelizmente muitos patógenos são facilmente introduzidos com a aquisição de peixes novos. Quarentena é nossa primeira frente de defesa.

Foto: Mário Barros