Foto: Mário Barros

TPA

Trocas Parciais de Água

Com que frequência você faz TPA em seu aquário?

- Como assim?! Eu não sei o que é TPA!

Fernanda Akiko

Fotos: Mário barros

Na natureza, existe uma harmonia que torna a vida aquática perfeita, ou seja, se o homem não interferir, os animais irão viver perfeitamente.

Na natureza, existe uma harmonia que torna a vida aquática perfeita, ou seja, se o homem não interferir, os animais irão viver perfeitamente. Porém, quando retiramos os peixes e os colocamos em um ambiente fechado, devemos nos imaginar na pele (ou escamas) deles. Lembrando que muitas espécies hoje já são criadas em cativeiro, então é necessário mantermos o possível para dar qualidade de vida, para que os peixes possam viver no aquário com saúde ao invés de sobreviver. Para começar a explicar a TPA (Trocas Parciais de Água), primeiramente é necessário que você conheça um pouco sobre seus peixes e plantas, ou seja, que no mínimo saiba o pH e temperatura que eles exigem. A princípio para que você possua um aquário estabilizado, saudável e com poucos Kinguios, você mantém com três testes: Teste de Amônia, Teste de pH e Teste de Nitrito, sem esquecer que de nada adianta todos esses testes se a temperatura do aquário não for controlada. Mas então, quando realizar a Troca Parcial de Água?

Título 1

Existem diversos sites e até mesmo livros que indicam um certo período para realizar a TPA. Uma vez por mês, duas vezes por mês, todo dia (isso mesmo, existem pessoas, normalmente criadores, que chegam a trocar a água do aquário, ou melhor, da bateria, todos os dias, pois eles sabem que para que os filhotes possam crescer rápido é necessário água nova todo dia, mas não estamos falando de criadores nesse tópico...). Então, para realizar a TPA, devemos saber o nível de pH, amônia e nitrito. Muitas pessoas pensam que só porque estão com o aquário estabilizado por um, dois ou seis meses, não é interessante trocar a água, e ainda falam que nunca tiveram problemas.
Sim, existem alguns casos no qual o aquário chegou a um nível de estabilidade que realmente não parece necessário a retirada de água. Mas essa pessoa pode ter uma grande surpresa quando numa bela manhã, vai alimentar os peixes e encontra um peixe morto, ela tira esse peixe do aquário, no outro dia aparece outro e outro, até que todos morrem e a pessoa desanima e desmonta o aquário. Isso ocorre, pois, a biologia benéfica para o aquário e os peixes, suportam por um tempo a alta elevação de nutrientes na água, mas normalmente não dura muito tempo. Em média, um aquário que não está superlotado, alimentando com ração de qualidade, sem excesso de comida e com um bom sistema de filtragem, uma vez por semana pode-se realizar a TPA. A quantidade de água a ser retirada deve ser entre 20% a 30% do total de água do aquário. Mas lembre-se de realizar sempre os testes para que não tenha nenhuma surpresa desagradável nesse intervalo entre as TPAs.

Perlon e buchas são ótimos para fazer a filtragem mecânica da água, porém devem ser limpos com regularidade para retirar o acúmulo de sujeira.

O sifão é um parceiro inseparável do aquarista, com esse tubo de plástico flexível fazemos a retirada dá água e a limpeza do fundo.

Como Fazer Tpa?

Para começar, você deve pegar uma esponja ou até mesmo um pedaço de perlon, algo macio que não risque o vidro do aquário. Esfregar delicadamente para não assustar seus peixes.Após a limpeza dos vidros, deve sugar a sujeira do aquário com um equipamento chamado sifão. Sifonar o fundo é muito importante, pois é no substrato que os restos de comida e fezes ficam acumulados, fazendo com que se forme amônia na água. Se o substrato for areia, puxe levemente a água com uma mangueira, de forma que sugue apenas a sujeira e não a areia, passe a mangueira levemente por cima. Nunca coloque a mangueira direto da torneira enchendo o aquário, pois além de expor seus peixes e a biologia ao cloro, cloramina e metais pesados, os parâmetros também podem estar errados e a temperatura menor do que a do aquário. É 99% de chances de morte de peixes, aparecimento de doenças em alguns dias ou a água turvar (sinal de perda de bactérias nitrificantes). Para repor a água, de preferência, separe-a um dia antes se for possível, pois nem todos os condicionadores agem de forma instantânea, muito importante ler o rótulo dos produtos. Adicione o condicionador para remover o cloro e metais pesado da água. Reponha a água cuidadosamente no aquário, para não agitar demais e estressar seus peixes, estresse também causa doenças, pois baixa a imunidade do peixe! Não esqueça antes de medir o pH e a temperatura da água nova, para não correr o risco de dar um choque neles e você acabar perdendo seus peixes.

A água que sai de nossas torneiras vêm tratada por companhias de abastecimento. Essas empresas colocam produtos químicos na água como o cloro, por exemplo, para torna-la segura exterminando ou  diminuindo a concentração de germes e bactérias e assim a água fica "segura" para nosso consumo. Se colocarmos essa água sem trata-la com condicionador esses produtos químicos irão causar um grande impacto desse sistema que acima de tudo depende de bactérias para funcionar em harmonia e equilíbrio.

No filtro, troque o perlon, carvão ativado ( de 30 em 30 dias, dependendo da marca), nunca lave as mídias biológicas. Se estiverem muito sujas, apenas enxague na própria água do aquário, NUNCA em água da torneira, pois o cloro vai matar a biologia formada nas mídias. A água poderá ficar turva mas é normal, logo voltará a ficar cristalina. A qualidade da água pode ser a diferença entre manter seu peixe forte e saudável em um ambiente que é perfeitamente adequado às suas necessidades e manter seu peixe em água ruim, que é perigosa para sua saúde.

INFLUÊNCIA DOS HORMÔNIOS 

Mário Barros

Na natureza peixes desenvolveram diversas estratégias para que possam sobreviver mesmo em condições adversas. Por exemplo, imagine um peixe que vive em um lago e que em determinado período do ano exista uma forte estiagem e consequentemente uma drástica diminuição no nível da água do lago em que vive.  Peixes estão sempre liberando hormônios e ferormônios na água, alguns desses hormônios como Ácido Gama - Aminobutírico (GABA) que desempenha um papel importante na regulação da excitabilidade neural ao longo de todo o sistema nervoso. Nos seres humanos, o GABA também é diretamente responsável pela regulação do tônus muscular e nos peixes também exerce forte influência em seu crescimento. Esses hormônios quando se acumulam na água, como no caso de uma estiagem, vão servir como um sinalizador para que o peixe pare de crescer, e que daquele tamanho aproveitem melhor os recursos disponíveis a sua volta.

Esse é um bom exemplo de taxa de crescimento em um Ryukin. Com apenas 7 meses esse exemplar se destaca por ganho de peso e tamanho. A rotina de manutenção inclui o mínimo de 70% de TPA semanal e vivem em um tanque de 470 litros.

Para um Kinguio que vive em um aquário com poucas trocas de água é como se vivesse em um lago em uma perpétua estiagem e sendo assim cresce pouco ou em ritmo lento. Não importa o quão bom ou caro seja seu sistema de filtragem, o que ele vai fazer é simplesmente adiar o declínio de sua qualidade de água. Embora um bom sistema de filtragem mantenha todos os parâmetros de sua água perfeitos por muito tempo ele não irá remover muitos desses hormônios. Para isso efetuar trocas parciais de água regularmente vai ajudar a diluir esses hormônios e consequentemente evitar que seus peixes tenham um crescimento letárgico e problemas de saúde.
Outro hormônio que é interessante destacar é a Somatostatin, esse hormônio é utilizado pelos kinguios para suprimir o crescimento de seus rivais, esse mecanismo serve como uma arma biológica para que o peixe tenha maiores chances de crescer e se reproduzir. Existem diversos outros hormônios produzidos por peixes, muitos deles ainda não temos nem ideia de sua utilidade, mas uma coisa é certa: o acúmulo dessas substâncias em ambiente confinado e de pouca renovação de água trás sérios prejuízos a saúde de nossos amigos de barbatana.